Futebol Saudade

Desde que, há mais de 100 anos, se fez o primeiro campeonato de futebol em Portugal, que a "passerelle", que é a vida desportiva, viu desfilar milhares de clubes.
Uns ainda hoje existem, pujantes e vigorosos até, outros, embora perdendo protagonismo, ainda resistem. Mas muitos ficaram pelo caminho.
Passaram ao futsal, deixaram o desporto, ou fecharam mesmo as portas. É dos que partiram (e não só), que aqui vamos tentar deixar a memória.




sábado, 3 de fevereiro de 2018

Vitória de Famalicão



Nos anos cinquenta - que são os do aparecimento do Vitória, equipa de futebol do lugar com o mesmo nome na freguesia de Calendário - observa-se um acentuado número de clubes populares (1).
O hábito que se detecta, é o aparecimento destes grupos nos meses de verão, coincidindo com o defeso no futebol federado.

Em Junho de 1958, que é quando o Vitória aparece, o que indicia a sua data de fundação, fala-se num jogo na Magida, onde o Vitória foi jogar e ganhar, ao FC Magidense.

Alinharam no Vitória:
Santos; Fernandes I, Fernandes II; Oliveira, Carneiro, e Costa; Américo, Francisco, Alfredo Pereira, Moreira e Neira.

(Estrela do Minho 29 JUN 1958, pg 2)

São depois muitos os jogos do Vitória que o jornal relata, dando conta de encontros com os “Leões do Calendário”, “Centro Ciclista”, “Cabeçudos FC”, no municipal, em Julho.

O clube é então presidido por António Rodrigues Silva, sendo secretário Manuel Duarte Navio, tendo por tesoureiro, Augusto Rodrigues.

(Jornal de Famalicão 6 DEZ 1958, pg 2)

(1)   – de forma não exaustiva, são referenciados os seguintes clubes populares, alguns deles mais tarde integrantes do futebol federado.

            - Águias de Joane
            - Andorinhas da Portela FC (Antas)
            - Brufense FC (Brufe)
            - FC de Landim
            - FC Magidense (Magida)
            - FC Vermoim
            - Flechas FC (Joane)
            - GD da Casa do Povo de Ruivães (o Ruivanense AC)
            - Juventude de Ronfe
            - Leões do Calendário
            - Lousadense FC (Lousado)
            - Mogege FC
            - Rio Pele

Feita a resenha das suas origens, pode dizer-se que nos quase vinte anos seguintes, o clube manteve a matriz popular, jogando aqui e ali, sem compromissos ou rotinas.
Mas logo à partida dispôs de campo de jogos. Ficava em Meães, e é o actual campo do Sport local.
Entretanto um proprietário local (João Valério Júnior) cede-lhes uma parcela de terreno na sua quinta, junto às escolas, e foi aí que o Vitória passou a jogar. Estamos nos anos setenta, e esta melhoria, conjugado com o bom desempenho no torneio popular do Vilarinho, que vence, predispõe o clube a mais altos voos.
1973/74 faz a sua estreia na FNAT, jogando sob a alçada da Casa do Povo de Calendário, pois a falta de estatutos tem-lhe condicionado a vida.
Nessa época, jogando a 2ª divisão, classifica-se em 2º lugar, subindo assim à 1ª divisão. 1974/75 é 6º classificado, sendo que em 1975/76 fica em 4º.
Culmina a presença no Inatel em 1981-82, representando a Casa do Povo de Calendário, ficando em 2º lugar na sua série, fica apurado para a disputa do titulo distrital, sagrando-se vice-campeão, com direito a disputar os nacionais. Chega á final Norte.
(ver Jornal de Famalicão 12 MAR 1982, pg 8)

Terá sido este desempenho brilhante que os motiva a experimentar o futebol federado, onde chega em 1982. Irá jogá-lo por muitos anos.
Em 1988, por ocasião do seu 30º aniversário, organiza uns festejos com um torneio quadrangular, e baptiza o seu recinto de jogo, homenageando a família benfeitora. Dá o nome de Dª Arminda Valério ao seu recinto de jogo.

Mas em Maio de 2010 faz o seu último jogo. Vence em casa o Briteiros, e foge ao último lugar da série C da 2ª divisão. Era o fim.
Hoje, o campo é a triste imagem d’um clube que se extinguiu. Fica aqui o registo da sua caminhada.

(ver Jornal de Famalicão 27 NOV 1976)

(ver Jornal de Famalicão 11 DEZ 1976, pg 6/8)